Pai e Avô
José Goldemberg teve uma infância marcada por dificuldades. Filho dos imigrantes Jacob e Bertha Goldemberg, oriundos da região da Bessarábia, então pertencente ao Império Russo, cresceu em Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul, onde a família enfrentou limitações econômicas. Das primeiras lembranças da infância, restaram poucas memórias. Entre elas, a ausência da mãe, falecida em 1932, quando José tinha apenas cinco anos.
Ainda criança, mudou-se com o pai e as irmãs para Porto Alegre, em busca de melhores oportunidades. Na capital gaúcha começou a se destacar nos estudos. Aluno aplicado do Grupo Escolar Luciano de Abreu, consolidou sua vocação acadêmica nos anos seguintes, já na Escola Estadual Júlio de Castilhos, onde teve os primeiros contatos com a Física, disciplina que definiria sua trajetória.
Na escola, encontrou professores que deixaram marcas profundas em sua formação. O docente de Química, pela clareza e pela capacidade de despertar a curiosidade dos alunos, tornou-se uma de suas maiores inspirações. Goldemberg costuma dizer que herdou um pouco desse talento para ensinar. As aulas de Português despertaram outro interesse duradouro: a literatura. Ainda adolescente, tornou-se um leitor assíduo dos grandes clássicos, hábito que o acompanharia por toda a vida.
Em 1945, quando o lançamento das bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki simbolizava o fim da Segunda Guerra Mundial e inaugurava a era nuclear, Goldemberg concluiu seus estudos em Porto Alegre e mudou-se para São Paulo com um objetivo bem definido: ingressar na Universidade de São Paulo (USP).
José Goldemberg, pai e irmãs. Acervo Pessoal.
José Goldemberg aos 7 anos. Acervo Pessoal.
José Goldemberg na Universidade de São Paulo. Acervo Pessoal.
A trajetória de José Goldemberg como cientista, gestor público e professor esteve acompanhada por uma sólida vida familiar. Filha caçula do segundo casamento, com Therezinha, a antropóloga Deborah Goldemberg descreve o pai como alguém dedicado aos filhos, mesmo nos períodos em que as responsabilidades profissionais ocupavam sua rotina.
Clóvis, Ricardo e Sérgio, filhos do primeiro casamento, com Penina, recordam um pai exigente em relação aos estudos, mas igualmente presente e interessado na formação de cada um. As conversas em família transitam naturalmente entre temas do cotidiano e discussões sobre política, ciência, história e literatura, frequentemente acompanhadas por um bom vinho. Embora vivam entre o interior de São Paulo e os Estados Unidos, os filhos procuram manter uma convivência constante.
Deborah reconhece que seguiu um caminho diferente do pai ao escolher a Antropologia, mas afirma que as diferenças de formação jamais impediram uma relação de grande cumplicidade. Apaixonada pela história da família, dedicou anos à reconstrução das origens da linhagem Goldemberg, aproximando ainda mais as diferentes gerações.
Apesar das expectativas naturais de um cientista em relação aos estudos, Goldemberg jamais procurou determinar o destino profissional dos filhos. Preferiu incentivá-los a desenvolver suas próprias vocações, oferecendo apoio e orientação sempre que necessário.
Hoje, pai de quatro filhos e avô de seis netos, continua acompanhando de perto a trajetória da família. Os netos o descrevem como um avô curioso, atento e permanentemente interessado pelo conhecimento, características que marcaram toda a sua vida e continuam presentes nas conversas e no convívio familiar.
José Goldemberg e filhos. Acervo Pessoal.
José Goldemberg e netos. Acervo Pessoal.
José Goldemberg e netos. Acervo Pessoal.
José Goldemberg e esposa, Therezinha Goldemberg. Acervo Pessoal.
José Goldemberg e filhos Clóvis, Ricardo e Sérgio. Acervo Pessoal.
José Goldemberg e irmãs. Acervo Pessoal.
Foto: Fabiano Battaglin