Trajetória Política

 

Com estilo muito franco e direto, desenvolvido ao longo dos anos no jogo político, José Goldemberg compôs o quadro conhecido como “Ministério dos Notáveis” durante o governo de Fernando Collor de Mello (1990-1992). Durante os dois anos da gestão, ocupou cargos como Secretário da Ciência e Tecnologia (1990-1991), Ministro da Educação (1991-1992), Ministro da Saúde (1992) e Secretário Interino do Meio Ambiente (1992). Em entrevista, Goldemberg imputa sua numerosa participação no Governo Federal ao bom trabalho realizado durante a reitoria da Universidade de São Paulo. 

Entre as diferentes ocupações, Collor passou a utilizar da assessoria do professor Goldemberg para repensar as políticas nucleares assinadas durante o governo militar. Ao longo do período como Secretário da Ciência e Tecnologia, o físico foi enviado para conferir a produção do “Programa Paralelo” (formalmente Programa Nuclear Paralelo – PNP), que durante a ditadura militar tinha como objetivo final a produção de armamento nuclear. “Era uma farsa. Montagem jornalística. Era um reator com pelo menos 40 anos de atraso tecnológico”, diz Goldemberg, que também representou o presidente em viagens oficiais aos Estados Unidos, China e Índia. Na ocasião, o cientista convidou os chefes de Estado à comparecerem à Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio-92, que aconteceria em 1992 no Rio de Janeiro. 

Coordenado por José Goldemberg com o apoio de um time experiente da diplomacia brasileira (Itamaraty), o evento foi um dos grandes sucessos de sua gestão e até hoje é tido como o marco inicial da agenda ambiental global moderna. 

Na memória de José Goldemberg ficou marcado o episódio da Serra do Cachimbo, noticiado até mesmo pelo influente jornal The New York Times, no qual Collor e o físico, então Secretário de Assuntos Estratégicos, foram até o Pará para fiscalizar e encerrar as atividades do local preparado para testes nucleares pelo regime militar (1964-1985). A ação simbolizou o fim das discussões sobre o uso de energia nuclear para fins não pacíficos.   

 
 
 

No início dos anos 2000, José Goldemberg foi convidado para palestrar no Memorial da América Latina, em São Paulo, a respeito do processo do aquecimento global, suas causas e possíveis soluções. Com uma fala de fácil compreensão e uma explicação acessível para todos os públicos, chamou a atenção do então governador Geraldo Alckmin, que em 2002 o convidaria para comandar a Secretária do Estado do Meio Ambiente.

A saída de Ricardo Tripoli e posse de José Goldemberg em 22 de janeiro de 2002 não gerou grandes mudanças estruturais para a Secretária, escolha verbalizada pelo professor Goldemberg no dia da posse. Entretanto, o grande poder de fiscalizar, autorizar, multar, cassar licença, vinculado à Cetesb, projetava uma responsabilidade ímpar ao cargo. Além das atribuições já identificadas, a Secretária também estava ligada ao Instituto Florestal, responsável por garantir a preservação da biodiversidade do estado. 

José Goldemberg marcou sua gestão pela liberação de uma, até então, “lista secreta” de áreas contaminadas no estado. Entre 255 indicadas no documento, 81 estavam localizadas na capital. A lista foi publicada no Diário Oficial e noticiada em 21 de maio, do mesmo ano da posse, pela Folha de S. Paulo.

Durante cinco anos (2002 a 2006), o físico e ex-reitor da USP foi o responsável por atenuar as causas da degradação ambiental em São Paulo, além de estar envolvido em importantes projetos como o licenciamento do Rodoanel e a expansão das usinas de cana de açúcar, assim como a mecanização da colheita.