Trajetória Política

 

Com o prestígio conquistado na Universidade de São Paulo, José Goldemberg foi convidado a integrar o chamado “Ministério dos Notáveis”, formado pelo presidente Fernando Collor de Mello em 1990. Ao longo do governo, ocupou sucessivamente os cargos de secretário da Ciência e Tecnologia, ministro da Educação, ministro da Saúde e secretário interino do Meio Ambiente. Para Goldemberg, a passagem pela Reitoria da USP foi determinante para que seu nome alcançasse projeção nacional e o credenciasse a assumir funções estratégicas. 

Entre as missões que recebeu, uma das mais relevantes foi a revisão da política nuclear brasileira. Crítico do modelo implantado durante o regime militar, foi encarregado de avaliar o chamado Programa Nuclear Paralelo, conduzido sob sigilo pelas Forças Armadas. A inspeção às instalações reforçou sua convicção de que o programa estava distante da capacidade tecnológica que lhe era atribuída. “Era uma farsa. Era um reator com pelo menos 40 anos de atraso tecnológico”, recorda. Na mesma época, representou o presidente Fernando Collor em missões oficiais aos Estados Unidos, à China e à Índia, convidando chefes de Estado para participar da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio-92.

À frente da Secretaria do Meio Ambiente, Goldemberg coordenou os preparativos brasileiros para a realização da Rio-92, em estreita colaboração com a diplomacia do Itamaraty. O encontro consolidou o protagonismo do Brasil nas discussões internacionais sobre desenvolvimento sustentável. 

Outro episódio marcante daquele período foi a visita, ao lado do presidente Collor, à Serra do Cachimbo, no Pará, onde funcionava uma área preparada pelo regime militar para possíveis testes nucleares. O fechamento simbólico da instalação representou o abandono definitivo da perspectiva de utilização da tecnologia nuclear brasileira para fins militares, reafirmando a defesa, sempre sustentada por Goldemberg, do uso exclusivamente pacífico da energia nuclear.

 
 
 

No início dos anos 2000, José Goldemberg foi convidado para proferir uma palestra no Memorial da América Latina sobre as causas e os desafios do aquecimento global. A clareza com que tratava um tema complexo e sua capacidade de aproximar a ciência do cotidiano chamaram a atenção do então governador Geraldo Alckmin, que, em 2002, o convidou para assumir a Secretaria de Estado do Meio Ambiente de São Paulo.

À frente da pasta, conduziu uma agenda voltada à conciliação entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental. Participou de decisões envolvendo o licenciamento do Rodoanel, a expansão da produção sucroenergética e a mecanização da colheita da cana-de-açúcar, sempre defendendo soluções técnicas capazes de reduzir os impactos ambientais sem comprometer o desenvolvimento do Estado.