Vida no Exterior
Universidade de Saskatchewan
A primeira experiência internacional de José Goldemberg aconteceu na cidade de Saskatoon, no Canadá, onde enfrentou um inverno rigoroso, com temperaturas que chegavam a 50°C negativos. Enviado pela Universidade de São Paulo, passou a trabalhar em um acelerador linear semelhante ao utilizado anteriormente ao lado de Marcello Damy, um dos pioneiros da física experimental no Brasil. A diferença estava na infraestrutura: o novo equipamento dispunha de um fornecimento de energia estável, condição essencial para a realização de experimentos com maior precisão.
Sob a orientação do professor Leon Katz, Goldemberg publicou seus primeiros artigos científicos em algumas das mais respeitadas revistas especializadas dos Estados Unidos. A temporada na Universidade de Saskatchewan, para onde seguiu acompanhado da esposa, Penina Tessler, marcou o início de uma trajetória acadêmica de projeção internacional e consolidou sua inserção na comunidade científica mundial.
Universidade de Stanford e acelerador linear
O êxito das pesquisas realizadas no Canadá abriu novas portas para José Goldemberg. Entre elas, o convite para trabalhar no acelerador linear utilizado por Robert Hofstadter (1915–1990), recém-laureado com o Prêmio Nobel de Física por seus estudos pioneiros sobre o espalhamento de elétrons em núcleos atômicos.
No início da década de 1960, Goldemberg passou dois anos como pesquisador na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Nesse período, publicou dez trabalhos científicos e aprofundou sua atuação em uma das áreas mais avançadas da física experimental da época.
Ao término da pesquisa, o acelerador linear utilizado nos experimentos foi doado à Universidade de São Paulo. Avaliado em cerca de um milhão de dólares, o equipamento desembarcou no Porto de Santos e foi instalado na USP, onde permaneceu como um importante instrumento para o desenvolvimento da pesquisa em física no Brasil.
Universidade de Paris
A passagem de José Goldemberg pela Universidade de Paris foi breve, mas decisiva. Contratado como professor associado em 1964, assumiu atividades de pesquisa em um acelerador de partículas semelhante ao que havia utilizado durante sua temporada nos Estados Unidos, consolidando uma carreira que despontava no cenário científico internacional.
Pouco depois da chegada da família à França, porém, a trajetória sofreu uma mudança inesperada. Penina, sua esposa, foi diagnosticada com câncer. Diante da gravidade da doença, Goldemberg decidiu interromper a promissora experiência acadêmica no exterior e retornar ao Brasil, convencido de que o apoio da família e a proximidade do país natal ofereceriam melhores condições para o tratamento.
Penina faleceu pouco tempo depois. A perda marcou profundamente o físico e coincidiu com um momento de grandes transformações no Brasil. Às vésperas do regime militar, Goldemberg decidiu permanecer definitivamente no País, disposto a dedicar sua carreira ao fortalecimento da física e da ciência brasileiras.
Faculdade de Física da Universidade de Saskatchewan- University of Saskatchewan, University Archives and Special Collections, Photograph Collection, A-12376.
Leon Katz- University of Saskatchewan, University Archives and Special Collections, Lecture Hall in Physics Photograph Collection, A-4126. Fotográfo: Gibson
Leon Katz ao lado do acelerador linear em 1964- University Archives and Special Collections, A-4393. Fotográfo: Gibson
Departamento de Física da Universidade de Standford
Foto: Fabiano Battaglin
Jornal Cidade de Santos- Arquivo Nacional
Acelerador Linear (MARK II) instalado na USP